Dúvidas absurdas, outras nem tanto, além de verdades e mentiras sobre saúde visual são comuns entre muitos clientes de óptica. por isso, é importante ter conhecimentos gerais sobre a visão para saber orientar.
O cliente chega no balcão da óptica e, durante o atendimento para a confecção de seus óculos de prescrição, repentinamente quest.iona o profissional que o atende: “Meu oftalmologista disse que eu estou com presbiopia, que é a tal vista cansada. Mas eu ouvi dizer que isso é mais frequente em pessoas que lêem muito. E eu realmente leio bastante, o dia todo. Será que é por isso que agora eu preciso de óculos?”.
Por mais ingênuo que possa parecer esse tipo de questionamento, perguntas assim (e tantas outras que rondam a seara dos “mitos e verdades” sobre a visão, mas que nem sempre são devidamente esclarecidas no consultório médico) são frequentes na rotina de quem lida com saúde visual, como é caso da óptica.
Por isso mesmo, além de toda a técnica necessária para interpretar receitas, fazer medições e desempenhar outros serviços inerentes ao ramo, todo profissional do varejo óptico que se preze é obrigado a ter um mínimo de conhecimentos gerais sobre saúde visual – até para não correr o risco de pagar um enorme mico demonstrando desconhecimento diante de uma pergunta imprevista no atendimento.
Afinal de contas, o que não falta são inverdades sobre saúde visual sendo disseminadas indiscriminadamente entre a sociedade. É claro que cabe ao oftalmologista esclarecer todas as dúvidas no tocante à saúde visual dos pacientes, e a melhor recomendação a um usuário perdido nesses assuntos é que ele procure seu especialista de confiança.
Mas saber orientar o cliente da maneira correta na óptica, inclusive auxiliando o médico na tarefa de oferecer a melhor qualidade visual possível àquela pessoa, também pode ser encarado como parte da responsabilidade dos profissionais ópticos.
Por isso, com o auxílio de diversos oftalmologistas e entidades de saúde visual consultados pela reportagem, organizamos a seguir um roteiro de questões comuns entre a população, esclarecendo o que é verdade e o que não passa de pura invenção popular. Aproveite para verificar a quantas anda o seu repertório de respostas sobre mitos e verdades na área de saúde visual!
Vista cansada é mais freqüente nas pessoas que lêem muito!
MITO. A um cliente com essa dúvida, como citado no começo desta matéria, a resposta correta é NÃO, a presbiopia, conhecida como “vista cansada”, não tem relação com a carga de leitura da pessoa. Esse distúrbio visual aparece na imensa maioria das pessoas após os 40 anos, independente de ter ou não lido durante a adolescência. Com o passar do tempo, o cristalino (que é a lente natural dos olhos, responsável pelo foco das imagens) vai aos poucos perdendo seu poder de acomodação, e então ocorre dificuldade para ver de perto, sendo então necessário uso de óculos.
O usuário torna-se dependente dos óculos se usá-los o tempo todo.
MITO. Se a prescrição está correta, a pessoa simplesmente verá mais claramente enquanto usar seus óculos. Se tirá-los, verá menos claramente. Simples assim.
Ler em movimento não causa problemas de visão.
VERDADE. O movimento em qualquer meio de locomoção não causa prejuízos à visão. Porém, em movimento o esforço visual será maior, podendo causar cansaço visual, e, consequentemente, resultar em dor de cabeça, ardor, lacrimejamento, dor ocular.
Ver televisão de perto pode prejudicar a visão!
MITO. Da mesma forma que a leitura em movimento, ver TV de perto pode provocar apenas cansaço ocular, porque a pessoa força a acomodação e a convergência, mas não traz prejuízo para a visão. O ideal é assistir televisão a uma distância mínima de 2 metros, e sempre com o local iluminado. A radiação emitida pela televisão é mínima e também não causa danos aos olhos.
Óculos prontos, para perto, comprados em camelôs ou farmácia, têm contra indicação.
VERDADE. Óculos prontos só estão indicados nos casos de emergência, enquanto se aguarda o exame com o oftalmologista e a confecção dos novos óculos. Como se sabe, óculos precisam ser feitos sob medida, pois cada pessoa tem uma distância entre os olhos que varia de acordo com o tamanho do seu rosto. Esta distância tem que ser combinada ao centro óptico das lentes. Óculos comprados prontos dificilmente apresentam o centro óptico adequado para os olhos.
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Com esses óculos a pessoa até consegue enxergar, mas depois de algum tempo começa a aparecer desconforto visual, dor de cabeça, ardor ou lacrimejamento. Outro inconveniente é que por vezes as pessoas têm graus diferentes nos dois olhos e, usando esses óculos irão forçar mais um dos olhos, ocasionando assim problemas visuais. E se, além da vista cansada (presbiopia), a pessoa apresenta também astigmatismo, usando esses óculos a correção será parcial, já que eles não corrigem o astigmatismo, trazendo prejuízo para a visão do paciente.
Ler com luz fraca prejudica a visão.
MITO. Mais um equívoco popular. Ler com luz fraca pode apenas causar tensão ocular – um “estresse” da musculatura ocular ocorrido quando os olhos se cansam. É como outra tensão muscular qualquer e não causa danos permanentes.
Quem força a vista acaba precisando de usar óculos.
MITO. O esforço para enxergar é conseqüência, jamais causa, dos chamados erros de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo). As pessoas, aliás, costumam herdar esses distúrbios que nada têm a ver com hábitos pessoais.
Estresse afeta a visão.
VERDADE. Especialistas já relacionam o aumento da produção de cortisol (hormônio do estresse) com o enfraquecimento da musculatura ciliar, responsável, no cristalino, pela capacidade de focar e desfocar, chamada acomodação. E o comprometimento da acomodação reduz a produtividade e predispõe a acidentes. O estresse também pode induzir ao acúmulo de líquido entre camadas da retina, causando visão distorcida na região central, hipermetropia induzida e metamorfopsia (tortuosidade das letras).
Olhos claros são mais sensíveis à luz.
MITO. A sensibilidade excessiva à luz tem a ver com pigmentos da retina (membrana no fundo do olho), e não da íris (disco colorido dos olhos), e também com a dilatação da pupila (“menina dos olhos”), que é um orifício igual em olhos de qualquer cor.
Diabetes pode levar à cegueira.
VERDADE. A diabetes pode, sim, causar cegueira porque provoca alterações no fundo do olho (doença chamada retinopatia diabética). Por isso, é muito importante aos portadores de diabetes avaliação freqüente com exame de fundo de olho, que pode detectar alterações. Uma dieta rigorosa e o acompanhamento clínico são essenciais, pois a diabetes não tem cura na maioria dos casos, e sim controle.
Limão clareia os olhos.
MITO. Crendice popular das mais perigosas essa história de pingar limão nos olhos! A fruta é totalmente contra-indicada para uso ocular, pois pode provocar irritação nos olhos, e ocasionar até úlceras de córnea.
Leite materno pode curar conjuntivite.
MITO. Somente colírios podem ser colocados nos olhos. Se o bebê tiver conjuntivite, levar ao oftalmologista , o qual irá receitar colírios específicos para o problema.
Tabagismo causa danos também à visão.
VERDADE. Os estudos comprovam que o tabagismo prejudica não só os pulmões ou o coração, mas também outros órgãos, entre eles os olhos. Os impactos na visão são numerosos, e vão de síndrome do olho seco (escassez de lágrimas) a catarata, degeneração macular e danos ao nervo óptico.
Lágrimas são vitais para os olhos e a visão.
VERDADE. As lágrimas, produzidas pela glândula lacrimal (localizada no lado externo da sobrancelha), servem para lubrificar e colaborar na transmissão de oxigênio do ar para a córnea (membrana transparente, localizada na frente da íris), além de nutri-la e ajudar na regeneração de lesões. A lágrima é espalhada pela superfície do olho quando piscamos, por isso o ato de piscar é muito importante, principalmente em pessoas que usam lentes de contato. |